Henriqueta Lisboa

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Henriqueta Lisboa

Message par Admin le Mar 13 Sep - 15:39

Henriqueta Lisboa/  Uma pedra de sal no oceano

   SOFRIMENTO


   No oceano integra-se (bem pouco)
   uma pedra de sal.

   Ficou o espírito, mais livre
   que o corpo.

   A música, muito além
   do instrumento.

   Da alavanca,
   sua razão de ser: o impulso,

   Ficou o selo, o remate
   da obra.

   A luz que sobrevive à estrela
   e é sua coroa.

   O maravilhoso. O imortal.

   O que se perdeu foi pouco.

   Mas era o que eu mais amava.



   OS LÍRIOS

   Certa madrugada fria
   irei de cabelos soltos
   ver como crescem os lírios.

   Quero saber como crescem
   simples e belos — perfeitos! —
   ao abandono dos campos.

   Antes que o sol apareça
   neblina rompe neblina
   com vestes brancas, irei.

   Irei no maior sigilo
   para que ninguém perceba
   contendo a respiração.

   Sobre a terra muito fria
   dobrando meus frios joelhos
   farei perguntas à terra.

   Depois de ouvir-lhe o segredo
   deitada por entre os lírios
   adormecerei tranqüila.


   SERENA

   Essa ternura grave
   que me ensina a sofrer
   em silêncio, na suavi-
   dade do entardecer,
   menos que pluma de ave
   pesa sobre meu ser.

   E só assim, na levi-
   tação da hora alta e fria,
   porque a noite me leve,
   sorvo, pura, a alegria,
   que outrora, por mais breve,
   de emoção me feria.

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Aziza Rahmouni.
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