Ribeiro Couto

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Ribeiro Couto

Message par Admin le Mar 13 Sep - 15:28

SANTOS


Nasci junto do porto ouvindo o barulho dos embarques.
0s pesados carretões de café
Sacudiam as ruas, faziam trepidar o meu berço.

Cresci junto do porto, vendo a azáfama dos embarques.
O apito triste dos cargueiros que partiam
Deixava longas ressonâncias na minha rua.

Brinquei de pegador entre os vagões das docas.
Os grãos de café, perdidos no lajedo,
Eram pedrinhas que eu atirava noutros meninos.

As grades de ferro dos armazéns, fechados à noite,
Faziam sonhar (tantas mercadorias!)
E me ensinavam a poesia do comércio.
Sou também teu filho, ó cidade marítima,
Tenho no sangue o instinto da partida,
O amor dos estrangeiros e das nações.

Oh, não me esqueças nunca, ó cidade marítima,
Que eu te trago comigo por todos os climas
E o cheiro do café me dá tua presença.

Poemas extraídos da REVISTA DE CULTURA BRASILEÑA, n. 52, Noviembre de 1981. Da matéria “Sobre quesos y café”, por Guilherme Figueiredo, p. 45-71. Edição da Embaixada do Brasil na Espanha.

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Re: Ribeiro Couto

Message par Admin le Mar 13 Sep - 15:29

PALMEIRA SOZINHA

Cais em abandono,
Lampiões mortiços
Piscando de sono.

Nas brisas nocturnas
Vêm cheiros mestiços
De matas e furnas.

Sozinha e estrangeira
Na noite de frio
Sonha uma palmeira.

Sua fronde acena
Para um outro rio
— Na terra morena.

PRAIA DE SANTA CRUZ


Vozes da noite, gemidos,
Embalos da água e do vento,
Cair de ramos partidos,
Moinhos em movimento;

Se eu saísse, achava gosto
No que lá fora está vivo:
Salpicos de mar no rosto
E em tudo um cheiro lascivo.

Mas na praia adormecida
Entre penedos escuros,
Nada está da mesma vida
Que me dou entre estes muros.

Aqui, sou o meu embalo;
Aqui, sou o mar e o vento;
Aqui, sou eu que me falo
E ouço o meu próprio lamento.

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